“Falta de jeito para as Artes”
Nunca fui uma rapariga virada para as artes.
Quando tinha os meus 7, 8 anos conseguia fazer uns desenhos muito engraçados, sempre muito elogiados pela minha professora primária e muito apreciados pelos meus pais, principalmente pela minha mãe que sempre os considerava com um traço “muito perfeitinho”.
Ainda hoje nem sei bem o que queria significar com aquilo…
Quando transitei para o 5º ano a situação alterou se drasticamente.
Os elogios e apreciações positivas sobre os meus desenhos cederam a uma grande pressão para desenhar bem (usando o lápis correcto - eu nem sabia que havia vários tipos de lápis!) e para fazer todos os trabalhinhos manuais com toda a a perfeição.
Naturalmente, com a minha franca falta de jeito para as artes nunca fui considerada uma grande aluna a Educação Visual e Tecnológica e, posteriormente, a Educação Visual.
Vá, era sempre avaliada em nível 4 ou 5, mas agora reconheço claramente que tais classificações se deviam mais ao meu bom comportamento e bom aproveitamento a todas as outras disciplinas, do que propriamente ao meu talento para o desenho, pintura e criatividade artística…
Sempre foi assim até ao 9ºano.
Um autêntica “batalha” (e tormento…) nas aulas de E.V pois sentia me constantemente como a “croma sem jeitinho nenhum para a coisa”.
Foi numa destas aulas que me lembro da professora ter levado para a aula vários livros pequenos que faziam parte integrante duma colecção sobre a obra de vários pintores/escultores/designers, que resolveu distribuir pela turma.
A mim calhou me um livro cujo título principal era simplesmente “ESCHER”
Mal olhei para a capa, e desconhecendo de todo aquele nome, pensei que seria o tema de mais um trabalhinho que teríamos que fazer e, no qual, eu demostraria o meu enorme brilhantismo artístico…
Mas não.
O livro servia apenas para nos mostrar outra forma de expressão gráfica, na qual se representavam construções impossíveis, com preenchimento regular do plano, explorações do infinito e metamorfoses.
Adorei.
Farta de ver repetidamente nas aulas desenhos sempre perfeitos, magistralmente executados (que não eram obviamente da minha autoria…) abrir o livro e ver algo totalmente diferente foi mesmo uma boa experiência.
Gostei tanto, que desde então nunca mais me esqueci deste autor, que vim a saber, é até bem reconhecido publicamente.

No entanto, quero já esclarecer que não foi pelo facto de ter gostado tanto de conhecer a obra de ESCHER que passei, como que miraculosamente, a ter jeito para as artes.
Infelizmente essa falta de jeito permanece e não me parece que, tão cedo, irá nascer em mim….

